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quarta-feira, 15 de maio de 2013

   Lá estava ela, em plena madrugada, jogada no canto do banheiro com uma lamina na mão, ela tentou, eu sei que tentou, mas foi inevitável, já era um vicio. Ela chorava, chorava muito, mas chorava baixinho pra ninguém ouvir, ela não queria incomodar ninguém com suas “bobagens”. Ela estava semi-nua, com vários cortes pelo corpo, o sangue escorria em suas mãos, ela tentava limpar, mas era muito, então não conseguia. doía, doía muito, mas não eram os cortes, e sim o motivo deles, era uma dor profunda, inexplicável. Ela já estava cansada de tudo aquilo, de todas aquelas mentiras, de todos aqueles sorrisos falsos, de todo aquele sofrimento, e então ela se decidiu, acabaria com toda aquela falsidade naquele momento. Ela se poupou de despedidas,”pra que me despedir? Ninguém sentiria a minha falta, esqueceriam de mim e menos de uma semana, seria como se eu nunca tivesse existido” então, ela se levantou do chão com uma parcela de esforço, ela sentiu medo, mas deixou de lado, era a melhor coisa a se fazer, deixaria todos serem felizes sem a sua presença, ela foi até a pia do banheiro, abriu o armário, e pegou todos os remédios que sua mãe deixava guardado. Foi para o seu quarto, queria passar seus últimos minutos lá. Os cortes haviam parado de sangrar, ela estava toda suja de sangue, eles começaram a arder. Ela deixou os remédios em cima da cama e foi para o banheiro, trancou a porta, ligou o chuveiro e tomou um banho rápido, se secou e voltou para o seu quarto. Abriu o seu guarda-roupas e pegou a sua roupa preferia, a que ela mais gostava. Pegou suas maquiagens e o espelho, ela queria que seu fim fosse belo, se olhou no espelho, seus olhos estavam inchados, ela já havia parado de chorar, e então, começou a se maquiar, e por fim, passou seu batom vermelho, ela adorava aquele batom, vestiu-se com a sua roupa predileta, ficou linda. Ela já estava pronta para seu fim, ela ainda poderia desistir, mas de iria adiantar? Ela estava sozinha no mundo, e não tinha ninguém além dela mesma, a sua alma já estava morta, ela só mataria seu corpo físico. Se sentou na cama, e começou a tomar os remédios, tomou todos, se deitou e esperou. Várias coisas se passavam na sua cabeça, sua visão já estava embaçada, ela já estava sonolenta. Já haviam se passado duas horas, e nada havia mudado, então cansada de esperar, foi até o banheiro e pegou o canivete, colocou sobre seu pulso, e pressionou até o canivete perfurar profundamente a sua pele, e então, sem pensar duas vezes, puxou com toda a sua força verticalmente, aquele era o maior corte que ela havia feito, em poucos segundos o banheiro estava tomado pelo sangue. Ela estava deitada no chão, não tinha mais forças, estão sussurrou friamente ” eu tentei, mas não consegui”, a sua voz foi como um vento gelado que sopra durante a madrugada e congela a alma.
Na manha seguinte sua mãe se levantou para ir trabalhar, normalmente foi até o banheiro e abriu a porta, mas o que viu não era o que ela sempre via todas as manhãs, ela viu sua filha coberta de sangue com o pulso aberto e com a sua roupa preferiada, à pegou nos braços, ela estava fria, já era tarde de mais… !*

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