Lá estava ela, em plena madrugada, jogada no canto
do banheiro com uma lamina na mão, ela tentou, eu sei que tentou, mas
foi inevitável, já era um vicio. Ela chorava, chorava muito, mas chorava
baixinho pra ninguém ouvir, ela não queria incomodar ninguém com suas
“bobagens”. Ela estava semi-nua, com vários cortes pelo corpo, o sangue
escorria em suas mãos, ela tentava limpar, mas era muito, então não
conseguia. doía, doía muito, mas não eram os cortes, e sim o motivo
deles, era uma dor profunda, inexplicável. Ela já estava cansada de tudo
aquilo, de todas aquelas mentiras, de todos aqueles sorrisos falsos, de
todo aquele sofrimento, e então ela se decidiu, acabaria com toda
aquela falsidade naquele momento. Ela se poupou de despedidas,”pra que
me despedir? Ninguém sentiria a minha falta, esqueceriam de mim e menos
de uma semana, seria como se eu nunca tivesse existido” então, ela se
levantou do chão com uma parcela de esforço, ela sentiu medo, mas deixou
de lado, era a melhor coisa a se fazer, deixaria todos serem felizes
sem a sua presença, ela foi até a pia do banheiro, abriu o armário, e
pegou todos os remédios que sua mãe deixava guardado. Foi para o seu
quarto, queria passar seus últimos minutos lá. Os cortes haviam parado
de sangrar, ela estava toda suja de sangue, eles começaram a arder. Ela
deixou os remédios em cima da cama e foi para o banheiro, trancou a
porta, ligou o chuveiro e tomou um banho rápido, se secou e voltou para o
seu quarto. Abriu o seu guarda-roupas e pegou a sua roupa preferia, a
que ela mais gostava. Pegou suas maquiagens e o espelho, ela queria que
seu fim fosse belo, se olhou no espelho, seus olhos estavam inchados,
ela já havia parado de chorar, e então, começou a se maquiar, e por fim,
passou seu batom vermelho, ela adorava aquele batom, vestiu-se com a
sua roupa predileta, ficou linda. Ela já estava pronta para seu fim, ela
ainda poderia desistir, mas de iria adiantar? Ela estava sozinha no
mundo, e não tinha ninguém além dela mesma, a sua alma já estava morta,
ela só mataria seu corpo físico. Se sentou na cama, e começou a tomar os
remédios, tomou todos, se deitou e esperou. Várias coisas se passavam
na sua cabeça, sua visão já estava embaçada, ela já estava sonolenta. Já
haviam se passado duas horas, e nada havia mudado, então cansada de
esperar, foi até o banheiro e pegou o canivete, colocou sobre seu pulso,
e pressionou até o canivete perfurar profundamente a sua pele, e então,
sem pensar duas vezes, puxou com toda a sua força verticalmente, aquele
era o maior corte que ela havia feito, em poucos segundos o banheiro
estava tomado pelo sangue. Ela estava deitada no chão, não tinha mais
forças, estão sussurrou friamente ” eu tentei, mas não consegui”, a sua
voz foi como um vento gelado que sopra durante a madrugada e congela a
alma.
Na manha seguinte sua mãe se levantou para ir trabalhar, normalmente foi
até o banheiro e abriu a porta, mas o que viu não era o que ela sempre
via todas as manhãs, ela viu sua filha coberta de sangue com o pulso
aberto e com a sua roupa preferiada, à pegou nos braços, ela estava
fria, já era tarde de mais… !*

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